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Rio de Janeiro ganha aparelho que avalia grau de cidadania da população

Cidadania é um grande desafio no Brasil. No Rio de Janeiro surgiu o “cidadômetro”, uma espécie de medidor do grau de cidadania da população.

O que é ser cidadão? “Procuro não jogar lixo na rua. Em casa, fico de olho para ver se não tem água parada por causa da dengue”, disse uma senhora. “Procuro respeitar os direitos alheios, isso é ser bom cidadão”, opina uma carioca.

Mas como se mede o grau de cidadania de uma pessoa? Com um “cidadômetro”. A iniciativa é de uma ONG que, desde maio, vem percorrendo vários bairros do Rio de Janeiro com o termômetro da cidadania. Ao todo, 6,6 mil pessoas já participaram. Diante de uma urna, basta escolher que tipo de cidadão você é: solidário, consciente ou atuante?

“Eu me considero cidadã atuante. Corro atrás dos direito e meus deveres como cidadão”, destaca um jovem.

“As pessoas gostam de reclamar muito, mas na hora da ação, poucas partem para a ação”, diz uma mulher.

Até agora o placar da cidadania está assim: 45% se dizem cidadãos conscientes, 31% solidários e 24% atuantes, o grau mais alto de cidadania, segundo os inventores do “cidadômetro”. Mas quando se mede a cidadania na prática, no dia a dia das grandes cidades, maus exemplos não faltam. O brasileiro tem sempre uma explicação para tentar justificar seu comportamento.

“É o jeito do brasileiro. Acho que todo mundo deveria ser sincero”, defende um senhor.

Qual a explicação para parar o carro em cima da faixa de pedestre? “É jogo rápido, estou saindo”, alegou um motorista. E para estacionar em fila dupla? “Estou esperando um pessoal”, comentou outro motorista.

A falta de cidadania está nas esquinas, nos muros ou nas calçadas. “Falta educação, cidadania, respeito pelo lugar onde você mora, enfim, é um desrespeito a tudo. Eu me sinto incomodada. Pelo menos o meu lixo eu guardo até achar uma lixeira, guardo na bolsa, na calça, não jogo lixo no chão. Acho que as pessoas deviam fazer o mesmo, o que não acontece”, garante a gerente administrativa Claudia Correia.

Ainda falta uma maior consciência dos nossos direitos e deveres, diz o cientista social Listz Vieira.

“É uma luta constante. É como a democracia, não há uma definição. Existe sempre uma luta para aperfeiçoar a democracia. A cidadania exige mais consciência de direitos e deveres, para que cada um possa exercer seus direitos e respeitar os demais”, explica a cientista social Listz Vieira.

Diante da falta de educação, um morador resolveu ser porta-voz de uma árvore. Fez um pedido: “Não jogue lixo nos meus pés”. É um apelo à cidadania.