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Prostituta visitou Moisés no Ary Franco depois do horário permitido

Os privilégios que o presidente da Unidos de Vila Isabel, Wilson Moreira Alves, o Moisés, tinha no Presídio Ary Franco, em Água Santa, eram conhecidos por familiares de detentos e comerciantes da região. Segundo o dono de um bar na rua Monteiro da Luz, onde fica a principal entrada da unidade, diretores e passistas da agremiação, personalidades do carnaval e até uma dançarina de funk visitavam o preso com frequência.

Além disso, no vídeo divulgado nesta quarta-feira pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), uma prostituta entrou no presídio - depois do horário permitido a visitas - com um guarda-chuva aberto para não ser identificada. Após ficar uma hora e 45 minutos com Moisés, ela foi embora.

Também eram famosos os churrascos promovidos na cela que Moisés dividia com outros detentos, que servia como uma espécie de gabinete. As confraternizações, segundo a esposa de um companheiro de cela, aconteciam com frequência. Ainda de acordo com ela, Moisés distribuía camisas da Vila Isabel entre os presos e funcionários do presídio.

As visitas de mulheres a Moisés causavam repercussão entre os detentos. De acordo com um agente penitenciário que não quis se identificar, em novembro, uma dançarina de funk estava com o presidente da Vila Isabel, quando a mulher do dirigente chegou para visitá-lo.

- Foi uma correria danada. Esconderam a dançarina para a mulher dele (Moisés) não ver. Depois, assim que a esposa chegou, tiraram correndo a outra do presídio. Ia ser o maior barraco e a situação ia ficar bem complicada para todo mundo - diz o agente.

Segundo o secretário de Administração Penitenciária, César Rubens Monteiro de Carvalho, uma denúncia anônima revelou que Moisés pagaria R$ 100 mil para deixar o presídio durante o carnaval. O pedido de habeas corpus feito pelo advogado do presidente da Vila Isabel foi negado, nesta quarta-feira, pelo Tribunal Regional Federal.