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Presidente da Audi deixa o cargo e vai comandar a Gol

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Paulo Sérgio Kakinoff

Aposta de boa parte do setor automotivo para, um dia, virar presidente do grupo Volkswagen no Brasil, o executivo Paulo Sérgio Kakinoff, de apenas 37 anos, deixou o comando da Audi no país, segundo lacônico comunicado da empresa emitido nesta segunda-feira (18). O destino profissional do executivo surpreendeu: ele assume o cargo de presidente da Gol Linhas Aéreas.

Kakinoff substitui Constantino de Oliveira Junior, fundador e atual líder da Gol. A decisão do conselho da companhia aérea (do qual Kakinoff faz parte desde 2010) deve ser confirmada numa reunião na semana que vem -- mas a saída do executivo da Audi é oficial. A Gol passa por dificuldades financeiras e tem feito demissões desde o começo do ano.

O novo presidente da Gol começou a trabalhar no Grupo Volkswagen aos 18 anos, e nos 20 anos seguintes teve o que se costuma chamar de "ascensão meteórica": o primeiro cargo de direção de Kakinoff veio em 2003, e em 2007 ele já era diretor-executivo da Volks para a América Latina. Em 2009, com 34 anos, assumiu a presidência da Audi, divisão premium do grupo que luta para melhorar seus números no Brasil, em meio a uma acirrada briga com as também alemãs BMW e Mercedes-Benz.

De acordo com o jornal Valor Econômico, é grande o tamanho da crise da Gol. A companhia, segunda maior do setor aéreo brasileiro, teve em 2011 prejuízo de R$ 751 milhões, o segundo maior de sua história, o qual provocou redução de sua malha aérea em 10%. Nos últimos meses, a empresa -- que surgiu como pioneira do low cost na aviação do Brasil -- manteve maus resultados financeiros e assistiu a movimentos importantes das rivais.

O mais recente foi a fusão de Azul e Trip, companhias "regionais" que, juntas, passam a contar com 15% de participação no mercado. A TAM já fizera aliança com a chilena Lan. Em 2007 a Gol comprou a Varig e, no ano passado, uniu-se à Webjet.

A contratação de Paulo Kakinoff parece ser uma tentativa de oxigenar a Gol, reproduzindo a experiência do executivo na Audi, empresa que tem trajetória acidentada no Brasil, mas que sob o comando dele ao menos passou a mostrar a cara ao consumidor brasileiro de modo mais eficaz.

A Audi foi introduzida no Brasil em 1993 por Leonardo Senna, irmão de Ayrton Senna, o piloto de F1 morto no ano seguinte, e chegou até a fabricar carros no país; o A3, até 2010 seu carro de entrada, dividiu plataforma com o VW Golf em linha de produção no Paraná. Hoje, a exemplo das rivais alemãs, prefere apenas importar -- frequentemente seus carros chegam ao Brasil poucos meses após o lançamento na Europa. A parceria local da Audi com o grupo Senna acabou em 2005, e hoje quem dá as cartas é a matriz alemã.

PÚBLICO-ALVO
Assumindo quatro anos após a maior turbulência da Audi no Brasil, Kakinoff, um dos executivos-chave mais jovens da indústria automotiva, empenhou-se muito na aproximação da marca com os chamados "formadores de opinião" (os jornalistas) e, paralelamente, com os endinheirados. Estes foram mimados com, entre outras coisas, o patrocínio da empresa a um torneio de polo -- mas o que entrou para a história do setor automotivo foi o convite do lançamento à imprensa do A5 Sportback, em 2010, quando o executivo gravou mais de 100 vídeos chamando cada jornalista, pelo nome, a comparecer ao evento.

No Dia das Mães do ano passado, Kakinoff repetiu a dose, gerenciando um evento de lançamento em que os jornalistas foram incentivados a levar as respectivas mães para um jantar e o test-drive do A1 (UOL Carros declinou de participar). A própria mãe do executivo estrelou o convite, outra vez feito em vídeo.

No entanto, a Audi patina nos números. Desde 2009, ano em que Kakinoff assumiu a empresa, a alemã jamais conseguiu ficar sequer entre as 20 principais marcas atuantes no Brasil em termos de emplacamentos -- segundo dados compilados pela Fenabrave (associação dos concessionários) para carros de passeio e comerciais leves (o que inclui SUVs e crossovers). Mercedes e BMW figuram na parte final do ranking, com participações entre 0,2% e 0,35%.

O modelo mais vendido da Audi no Brasil é o já citado A1, seu menor carro e também o mais barato (parte de R$ 81.900), que até o final de maio vendeu 579 unidades.

O substituto de Kakinoff no comando da marca alemã é o atual diretor de vendas e marketing, Leandro Radomile. Ele deve assumir no próximo dia 2, segundo o Automotive Business.
 
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