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Por aqui também tem lixo extraordinário!

Pegando carona na história apresentada pelo documentário brasileiro que concorre ao Oscar, reportagem entrevista pessoas que transformam lixo em arte .

Notícia publicada na edição de 13/02/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 001 do caderno B - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

Maíra Fernandes


No dia 27, o Brasil pode trazer, pela primeira vez, a tão sonhada e dourada estatueta do Oscar. A maior premiação da sétima arte indicou como um dos melhores documentários o longa-metragem "Lixo Extraordinário", que tem direção conjunta dos brasileiros João Jardim (confira entrevista com o diretor na B2), Karen Harley e da britânica Lucy Walker. O filme mostra o trabalho do artista plástico brasileiro Vik Muniz, com os catadores de Jardim Gramacho (RJ), um dos maiores aterros sanitários do mundo.


Mas não é só Muniz que vislumbra, no descarte de muitos, possibilidades de criação. Em tempos em que a sustentabilidade ambiental é tema recorrente, criativos artistas de Sorocaba e região também reinventam a utilização de resíduos descartados para além da reciclagem. A cidade, que hoje exporta seu lixo por não ter capacidade suficiente em seu aterro sanitário, conta com ações que fazem o inverso: na mão de pessoas criativas o lixo é transformado e pode virar bijuteria, almofada, cenário para teatro ou até música.


Caixa de leite, latas de óleo, base de computador, panelas, calotas, placas de trânsito, entre outros tantos objetos que acabam superlotando os aterros sanitários, são matéria-prima para eles. Confira:






Arte-educação sustentável




Educar sobre a importância da sustentabilidade é a proposta do grupo teatral sorocabano "Borboleta Violeta - Arte e Cia." Formada por músicos, educadores ambientais e atores em 2008, a trupe apresenta peças sob a temática ambiental, além de realizar oficinas, nas quais confeccionam instrumentos musicais a partir de materiais recicláveis. O cenário do grupo também é todo feito desses materiais.


Para acompanhar o enredo, o músico Fábio Brendolan, que desenvolve o trabalho com sua esposa, Melissa Branco, compõe músicas sob a temática, como a que fala do bioma do Cerrado e apresenta todas as frutas típicas da região. A intenção, reforça o casal de artistas, é a formação de multiplicadores ambientais de todas as idades.


Com o que seria descartado ainda produzem brinquedos como bilboquê e cata-vento. Também fazem instrumentos musicais como tambor, flauta e chocalho, além de bijuterias. Assim, acabam ensinando as técnicas às crianças, para que essas também mudem sua visão quanto o que é lixo e o que pode ser feito com os materiais descartados.


Para este ano, o grupo trabalha o lançamento do primeiro CD, com as composições realizadas para o espetáculo, tudo versando sobre arte e sustentabilidade.




O som das coisas




Visitar depósitos de entulhos e ferros-velhos é uma das muitas atividades de quem trabalha com a possibilidade da reutilização. Essa é uma das rotinas do percussionista Marco Corrêa. O músico, que trabalha com os jovens da Fundação Casa por meio do Projeto Guri, reserva um tempo para uma boa vasculhada nos locais que revendem esses objetos que são dispensados.


Entre computadores quebrados, telefones sem sinal, placas sem identificação e milhares de carcaças que já foram, algum dia, um utensílio com determinada função, o música passeia como que em um shopping. Em sua última compra, realizada na sexta-feira passada, investiu R$ 20 na aquisição de um equipamento de máquina de lavar e de uma placa de trânsito de proibido estacionar. O chamariz dos produtos foram os mesmos: o som.


Percussionista, Marco estuda as possibilidades de som dos objetos. Para tanto, não os transforma, como fazem outros artistas. Mas utiliza-os de forma bruta. "Os de lata são os meus preferidos. A questão é descobrir quais as possibilidades de som, de grave, de outro lado tem um agudo ou um médio", conta ele, que prefere panelas e calotas de carros. Tanto que juntou uma calota a uma mola e fez uma espécie de reco-reco.


A intenção do músico, além de pesquisar as possibilidades de som, é levar esse projeto para oficinas com crianças. A ideia é ensinar crianças e jovens, além da musicalização, a criatividade para a produção de instrumentos e outras artes.
Anexos
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