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População reclama de mal atendimento em hospitais.

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Muitos usuários que dependem do sistema público de saúde sofrem com a falta de atendimento, estrutura, demora, entre outros problemas. Mas em Uberaba, no Triângulo Mineiro, a situação para as pessoas que dependem da rede privada não é muito diferente. Casos de urgência e emergência, além da pediatria, são os que tem a maior demanda e os maiores problemas.
Nesta sexta-feira (6), a equipe de reportagem da TV Integração - afiliada Rede Globo esteve na sala de espera para atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) do Hospital da Criança de Uberaba. Apenas um médico prestava atendimento. Ainda no hospital, no local voltado para o atendimento particular, foi encontrada a mesma situação. Salas lotadas e quem paga pelos planos de saúde chega a ter que esperar até cinco horas para ser atendido. "A cidade cresceu, a população aumentou, vieram muitas empresas e elas trouxeram mais convênios e com isso aumentou a procura", disse a diretora do hospital, Maria Rita Cariel. Na porta do hospital há uma faixa que avisa sobre a suspensão do serviço de ortopedia e na próxima semana o atendimento ambulatorial será limitado a 40 fichas.
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População reclama sobre a saúde pública em Uberaba, MG
Segundo a médica Ana Paula Bosi, 80% da demanda no Pronto Socorro poderia ser solucionada nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Ela permitiu que a equipe de reportagem acompanhasse uma consulta. O paciente foi Pietro, de oito meses, e a mãe, Luciana Assis, foi de Delta, cidade que fica a cerca de 36 quilômetros de Uberaba, porque não confia no serviço do postinho. "Aqui você vem faz raio-x, faz ressonância, exame na hora. Lá se for fazer pega resultado só na outra semana”, afirmou Luciana.
O atendimento da criança durou menos de cinco minutos. Segundo a médica, o relógio no Pronto Socorro trabalha contra a medicina. "A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que são quatro pacientes por hora em serviços de urgência. Nós estamos atendendo 12 ou 13 crianças por hora. Isso significa mau atendimento", afirmou Bosi.
Ainda segunda a médica, a situação chegou a esse ponto por vários motivos, mas o maior deles é a baixa remuneração. Seja pelo SUS ou pelo convênio, o repasse ao médico não chega a R$ 8 por consulta na emergência. "Você atende 80 até 100 crianças por dia é uma sobrecarga muito grande", lembrou Ana Paula.
No Hospital Beneficência Portuguesa, que deveria atender 60% de pacientes do SUS e 40% particulares, a demanda obriga a direção a ocupar leitos reservados para o convênio. "Nós atendemos a região e precisamos abrir mão de algumas vagas para atender esse público", disse a assessora do hospital, Isabel Durineck.