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Partidários de Mubarak e manifestantes voltam a se enfrentar no Cairo

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CAIRO - Os confrontos entre partidários do presidente do Egito, Hosni Mubarak, e ativistas da oposição voltaram a ocorrer na Praça Tahrir, no centro do Cairo, na madrugada desta quinta-feira, 5, segundo horário local. Há relatos de pedras e bombas incendiárias sendo atiradas de um lado para o outro.

As imagens divulgadas pelas televisões árabes mostram cenas similares às vividas durante a quarta-feira, quando tiveram início os confrontos entre os que defendem o presidente egípcio e os que pedem sua renúncia. Segundo o Ministério da Saúde, três pessoas morreram e 639 ficaram feridas nos enfrentamentos.

O Exército ergueu barricadas para separar os dois grupos, mas não age para dispersar os conflitos, como fez mais cedo, disparando para o alto. Segundo relatos do canal Al-Jazira, os bloqueios erguidos pelos militares já não são suficientes para manter as multidões longe uma da outra.

Os partidários de Mubarak estão colhendo pedras, paus e vestindo máscaras, aparentemente se preparando para mais confrontos. Há indícios de que essas pessoas seriam policiais. Há alguns focos de incêndio na própria praça e em casas próximas, mas não há veículos dos bombeiros. Mais cedo, vários carros foram incendiados.

De acordo com a rede de TV Al-Arabya, alguns dos manifestantes favoráveis a Mubarak receberam pagamento de 200 libras egípcias (US$ 34) para participar dos protestos. Eles invadiram a Praça Tahrir no final da manhã. Alguns deles estavam montados em cavalos e camelos e usavam chicotes contra os egípcios que pedem o fim do regime, que já dura 30 anos.

O vice-presidente, Omar Suleiman, pediu o fim dos protestos e exortou os manifestantes - tanto os pró quanto os contra Mubarak - voltem para suas casas. Os egípcios, porém, permanecem no centro da capital desafiando o toque de recolher.

Os distúrbios no Egito foram inspirados na "Revolução do Jasmim", que derrubou o presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, em janeiro. No Iêmen e na Jordânia também foram registradas manifestações.

FONTE: Estadao