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Para presidente da Anatel, 4G deve oferecer velocidade de até 20 Mbps

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) realiza nesta terça-feira (12) o leilão das faixas de frequência para a telefonia celular de quarta geração (4G) e a telefonia móvel rural. O G1 ouviu a opinião da agência e de especialistas sobre a velocidade de transmissão de dados que poderá ser oferecida no país.

Para o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Batista de Rezende, a banda larga móvel de quarta geração no Brasil deve oferecer velocidade de até 20 Mbps (megabits por segundo), dez vezes maior do que os 2 Mbps máximos proporcionados pela 3G nacional.

Já o superintendente de Serviços Privados da Anatel e presidente da comissão de licitação do 4G, Bruno de Carvalho Ramos, avalia que a velocidade de transmissão de dados no país pode chegar a 30 Mbps, semelhante ao registrado na 4G dos Estados Unidos.

“Acredito que a 4G pode chegar a 30 Mbps, principalmente nos grandes centros urbanos. A competição entre as operadoras vai levar a que essa velocidade seja possível”, disse Ramos.
Analista de telecomunicações da IDC Brasil, João Paulo Bruder acha que pensar em uma banda larga móvel de 30 Mbps no Brasil é um “exagero”. Segundo ele, se a velocidade média do 4G chegar a 5 Mbps “já está ótimo.”

“Para se chegar a uma velocidade tão alta como essa [30 Mbps], seria preciso pouca gente para dividir a banda e investimento muito alto das empresas de telecomunicações, que eu acho que elas não terão condições de fazer.”

O presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, avalia que a velocidade média do 4G no Brasil possa ficar entre 5 Mbps e 12 Mbps. Ele ressalta, porém, que o serviço deve levar alguns anos para atingir um nível adequado de qualidade, por conta do preço dos telefones e dos planos, mais caros que os praticados no 3G.

“Ninguém pode ter expectativa de que, daqui a dois anos, vai estar todo mundo usando banda larga 4G no Brasil”, disse. Para Tude, no começo o 4G deve ser servir, basicamente, a profissionais que dependem de internet móvel rápida para o trabalho, dispostos a pagar alto pelo serviço.

Seis grupos vão disputar até 273 lotes de faixas de frequência. Cinco deles dão direito aos vencedores de oferecerem o serviço no país inteiro – quatro lotes para o 4G e um para a faixa de 450 MHz, da telefonia rural. Os outros lotes são para operações regionais.
Internet 4G (Foto: Arte/G1)

Propostas
Na semana passada, a Anatel recebeu propostas dos seis grupos interessados no leilão: Claro, Telefonica/Vivo, Oi, TIM, TV Filme (que pertence à Sky) e Sunrise, do investidor George Soros. Claro (com a Americel) e TIM (Intelig) vão disputar com duas empresas cada uma.

O preço mínimo somado das outorgas foi fixado pela agência em R$ 3,8 bilhões. O edital prevê que primeiro será leiloada a faixa de 450 MHz. Se não houver oferta, passa-se ao leilão do 4G (2,5 GHz) e os vencedores dessa fase também ficam obrigados a fazer os investimentos necessários para a oferta da telefonia móvel rural.

No caso do 4G, vence quem fizer o maior lance. Já na telefonia rural, sai vencedor aquele que oferecer o menor preço em relação ao valor teto de franquia, que é a mensalidade a ser paga pelos usuários.

A franquia máxima fixada pela agência para o leilão, sem impostos, é de R$ 30 para o serviço de voz, com direito a 100 minutos de ligações, e R$ 32 para o serviço de dados (internet), com velocidade de 256 Kbps (kilobits por segundo).

Oficialmente, o governo ainda acredita que entre os envelopes entregues na semana passada haja uma oferta para a telefonia rural. Entretanto, a única empresa que demonstrou interesse nesse serviço, a sueca NET 1, não apresentou proposta e não vai participar do leilão. A telefonia rural é considerada menos lucrativa e, por isso, o interesse das empresas nela é menor.

Investimentos
Finalizado o leilão, as atenções estarão concentradas nos investimentos das operadoras para cumprir o cronograma de implantação dos serviços, previsto no edital de licitação.

De acordo com o presidente da Anatel, a previsão é de que as operadoras invistam entre R$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões até 2018 para implantar a rede que dará suporte ao 4G e à telefonia rural.

As vencedoras do leilão da faixa de 2,5 GHz (4G) terão metas de cobertura. Até abril de 2013, todas as cidades-sede de jogos da Copa das Confederações terão que contar com o serviço. Ao final do mesmo ano, o sinal deve estar disponível em todas as sedes e subsedes da Copa de 2014. O serviço pode começar a ser oferecido antes, caso as operadoras consigam implantar suas redes.

Em maio de 2014, todas as capitais e cidades com mais de 500 mil habitantes devem estar cobertas. Ainda segundo o edital, o serviço deve estar ativo nas cidades com mais de 30 mil habitantes até o final de 2017. Municípios menores têm que contar com o 4G até o final de 2019.

Para a telefonia rural, a meta é atender a 30% dos municípios até junho de 2014 e 100% deles até dezembro de 2015.

A empresa também fica obrigada a oferecer serviço de internet em escolas públicas rurais, com taxa de download (velocidade para baixar arquivos) de 256 Kbps, mas que sobe para 1 Mbps (megabits por segundo) até dezembro de 2017.

Empresas do setor de telecomunicações tentaram convencer o governo a adiar o leilão do 4G sob a alegação de que ainda cumprem metas de implantação da rede 3G e não obtiveram retorno dos investimentos feitos. Ou seja, as empresas terão que aplicar recursos nas duas tecnologias ao mesmo tempo.

Para tentar estimular esses investimentos, o governo anunciou a desoneração de equipamentos e obras civis para redes de banda larga, prevista no plano Brasil Maior. A expectativa é antecipar cerca de R$ 18 bilhões em investimentos que terão que ser feitos até 2016.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, informou que a média de investimento das empresas de telecomunicações no Brasil é de R$ 17 bilhões ao ano. O objetivo do governo, disse ele, é que esse valor chegue a R$ 25 bilhões.

Tecnologia nacional
O edital exige ainda das empresas 60% de conteúdo nacional mínimo nas aquisições de bens, produtos, equipamentos, sistemas de telecomunicações e redes de dados que formarão a infraestrutura do 4G, sendo 10% da tecnologia desenvolvida no país, tudo isso entre 2012 e 2014. A obrigação aumenta para 70% (20%) entre 2017 e 2022.

A exigência de conteúdo nacional foi questionada por Estados Unidos e União Europeia na Organização Mundial do Comércio (OMC). Eles alegaram que trata-se de uma barreira ilegal ao comércio no setor de telecomunicações. O governo, entretanto, manteve a obrigação sob a justificativa de que ela é necessária para desenvolver a indústria de telecomunicações no Brasil.

Fonte :http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2012/06/para-anatel-banda-larga-4g-deve-oferecer-velocidade-de-ate-20-mbps.html

By VnS
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