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Ocidente lança ofensiva contra forças de Kadafi na Líbia

EUA, França e Reino Unido dão início à 'Odisseia do Amanhecer'; 110 mísseis americanos e britânicos atingem 20 alvos e Kadafi reage
Após os ataques feitos pelos EUA, França e Reino Unido durante o sábado, o líder líbio Muamar Kadafi assegurou hoje que a Líbia está preparada para manter uma "longa guerra" contra as forças aliadas ocidentais.

Durante a madrugada deste domingo, em Trípoli, estrondos de artilharia antiaérea deixaram os moradores em alerta, mas a cidade não apresenta sinais de guerra nesta manhã.

Em discurso pela televisão estatal líbia, Kadafi prometeu uma vitória contra o que qualificou como "o novo nazismo" e assegurou que está "armando todos os líbios". A Líbia se prepara "para uma longa guerra" que, segundo Kadafi, as forças aliadas não poderão enfrentar. "Esta agressão torna o povo líbio forte e consolida sua vontade", disse o líder líbio

Ataques no sábado

Forças dos EUA e da Europa começaram neste sábado uma ampla campanha de ataques contra o regime de Muamar Kadafi, usando aviões de guerra e mísseis. A operação, chamada de "Odisseia do Amanhecer", é a primera rodada da maior intervenção militar internacional no mundo árabe desde a invasão do Iraque, em 2003.

EUA, Reino Unido e França bombardearam alvos na capital da Líbia, Trípoli, em Misrata e nos arredores de Beghazi com o objetivo de implementar a zona de exclusão aérea prevista pela resolução do Conselho de Segurança da ONU de quinta-feira. O governo líbio reagiu à ação afirmando que era "bárbara" e alegou que civis foram mortos. Segundo a televisão estatal, ao menos 48 pessoas morreram nos ataques realizados pela coalizão. Veja abaixo o momento do lançamento do míssel americano.

Kadafi disse que o Mediterrâneo e o Norte da África se tornaram um "campo de batalha" e que ele abrirá "os depósitos de armas para defender a unidade, soberania e poder da Líbia".


Em visita oficial ao Brasil, o presidente americano, Barack Obama, confirmou que os EUA começaram uma ação "militar limitada" no país. Ao mesmo tempo em que disse estar "ciente dos riscos para as forças dos EUA", afirmou que o mundo tem de agir quando Kadafi não cumpre com sua declaração de cessar-fogo e continua com sua ofensiva contra os rebeldes.

"Hoje autorizei as Forças Armadas dos EUA a lançar uma ação limitada contra a Líbia", disse. "Não é algo que os EUA ou nossos aliados tenhamos buscado, mas o comportamento de Kadafi, que continua com seus ataques contra Benghazi, não deixou outra opção."

Obama disse que a iniciativa foi tomada para responder "aos apelos da população líbia e proteger os interesses dos EUA e do mundo". O presidente, que prometeu durante sua campanha eleitoral pôr fim à Guerra do Iraque e do Afeganistão, reiterou que os soldados americanos não pisarão em solo líbio.

Na sexta-feira, Obama já havia subido o tom com Kadafi: "Deixe-me ser muito claro: Esses termos (do Conselho de Segurança da ONU) não são negociáveis. Se ele não acatar, a comunidade internacional imporá conseqüências", afirmou.


Os EUA e o Reino Unido dispararam 110 mísseis de cruzeiro Tomahawk contra 20 alvos do país a partir de submarinos e navios posicionados no Mar Mediterrâneo, informou o Pentágono. O objetivo da ofensiva é dar início à zona de exclusão aérea imposta pela resolução 1973 que o Conselho de Segurança da ONU aprovou na quinta-feira, que autoriza medidas militares para proteger a população líbia dos ataques das forças de Kadafi.

Os primeiros ataques foram feitos contra pontos do litoral do golfo de Sirte, segundo indicou o vice-almirante William Gortney em Washington. De acordo com ele, à frente da operação está o general Carter Ham, responsável do comando americano para a África.

A operação será executada em diferentes fases, explicou o militar, que não declarou quanto tempo será necessário para completar a primeira parte da operação. A ideia é aprofundar os ataques, disse, do golfo de Sirte em direção leste-oeste.

O alto responsável militar evitou avaliar o êxito da operação, que pode durar "horas" ou "dias", e disse que será necessário "algum tempo" antes de se ter uma ideia precisa do alcance dos ataques.

Início pela França

A operação foi iniciada mais cedo por aviões da França. De acordo com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, a ação acontece para impedir que as forças do governo líbio ataquem o reduto rebelde de Benghazi, epicentro dos protestos iniciados em 15 de fevereiro que reivindicam o fim do regime de Kadafi, há quase 42 anos no poder.

Thierry Burkhard, coronel do Estado-Maior do Exército francês, indicou que um dos caças franceses envolvidos nas operações fez "um disparo por volta das 17h45 contra um veículo militar". Citando fontes dos rebeldes, o canal de televisão "Al-Jazeera" disse que os caças franceses Rafale destruíram pelo menos quatro tanques, sem dar mais detalhes.
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A ação começou horas depois de líderes ocidentais e árabes terem se reunido em Paris para chegar a um acordo sobre a ação para confrontar Kadafi. "Nossa Força Aérea se oporá a qualquer agressão", disse Sarkozy, que previamente havia anunciado que aviões franceses já sobrevoavam a Líbia.

Sarkozy confirmou as operações militares na Líbia após a reunião de Paris. O encontro contou com a presença de 22 representantes de governos e de organizações internacionais (ONU, Liga Árabe e União Africana).

O clima de urgência da cúpula aumentou após informações de que Benghazi continuou sendo palco de enfrentamentos apesar de um cessar-fogo anunciado pelas forças do regime líbio. Neste sábado, um avião caça chegou a ser abatido e caiu,

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em chamas, sobre Benghazi. "Se não houver um cessar-fogo imediato, nossos países recorrerão a meios militares", advertiu Sarkozy, após o encontro.

O presidente francês afirmou que Kadafi "desdenhou" do ultimato da comunidade internacional, "intensificando seus ataques assassinos nas últimas horas".

Sinal verde

Na quinta-feira, a ONU adotou a resolução 1.973, que instaura uma zona de exclusão aéra na Líbia para proteger os civis de bombardeios e autoriza os Estados membros a tomar "todas as medidas necessárias" para proteger os civis dos ataques, excluindo a possibilidade de envio de forças de ocupação estrangeiras.

"Nossas forças se oporão a todas as agressões", disse Sarkozy. "Nossa determinação é total", acrescentou o líder francês. Ele afirmou que "todos os meios necessários, particularmente militares, serão aplicados para garantir o respeito das decisões do Conselho de Segurança da ONU".

O governo líbio anunciou um cessar-fogo na sexta-feira, mas desde o princípio os rebeldes e líderes da comunidade internacional se mostraram reticentes em relação ao anúncio. Neste sábado, a reportagem de BBC em Benghazi testemunhou a entrada de tanques das forças do coronel Kadafi na cidade. A agência de refugiados da ONU, Acnur, diz que está se preparando para receber 200 mil pessoas que tentam se afastar dos combates.
 
tava vendo um video dessa noiticia mt loko