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Nova York recebe duras críticas após caos provocado pelas nevascas

As autoridades municipais de Nova York receberam duras críticas pela má gestão após o caos provocado pela tempestade de neve que passou pela cidade. "A resposta (de Nova York) foi inaceitável", declarou, durante entrevista coletiva, Christine Quinn, presidente do conselho municipal, que anunciou a decisão de convocar uma sessão especial sobre o caso.

A tempestade começou na tarde de domingo (26) e durou mais de 24 horas, deixando a cidade coberta com camada de mais de 80 centímetros de neve. Os trabalhos de limpeza começaram na terça-feira (28), mas bairros inteiros, como Brooklyn, Queens e Bronx, não viram passar nem um veículo para remover a neve, o que fez com que centenas de ruas ficassem bloqueadas, impedindo o tráfego.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, também foi criticado após as nevascas que atingiram a cidade, sendo responsabilizado pela opinião pública. "Este é um prefeito que se orgulha de sua capacidade como administrador. Se vamos avaliá-lo de acordo com sua atuação na nevasca, dou nota zero", disse o presidente do distrito do Bronx, Ruben Diaz Jr.

Mesmo os aliados de Bloomberg fizeram críticas. "Nunca vi uma administração tão ruim e tamanha falta de liderança na minha vida. As pessoas estão furiosas", disse o vereador David Greenfield, que sempre apoiou Bloomberg. O próprio prefeito admitiu o erro em entrevista à imprensa nesta quarta-feira (29): "Não fizemos um trabalho tão bom quanto queríamos".

Na coletiva, Bloomberg ainda explicou que as equipes de limpeza continuam trabalhando e assegurou que a prioridade era permitir a passagem de ambulâncias. "A situação é complicada, ninguém diz que é fácil, mas fazemos todo o possível", afirmou o prefeito.

O jornal "The New York Times" noticiou que vários cidadãos sofreram graves problemas médicos pela lentidão com que as ambulâncias atenderam os chamados. Segundo o jornal, no Brooklyn, uma mulher que sofreu um acidente vascular cerebral esperou seis horas pelos serviços de emergência, enquanto outra mulher, grávida, perdeu o bebê, após aguardar mais de dez horas para ser atendida.

A cidade tinha a reputação de fazer uma limpeza de neve eficiente com sua frota de caminhões e escavadeiras que percorrem os 9,6 mil quilômetros das ruas da cidade. Porém, esta última tempestade teve ventos de 105 quilômetros por hora, com mais de dois centímetros de neve por hora, forçando as escavadeiras a limpar repetidas vezes as principais avenidas antes de se dirigir às outras ruas.