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Motorista de ônibus pode decidir título da Libertadores a favor do Corinthians

ImagemEm um jogo decisivo como a final da Copa Libertadores, a força mental de cada time vai decidir o resultado do jogo, pois todos os detalhes foram estudados e conversados à exaustão. Os dois times treinaram as jogadas e a estratégia foi repetida o tempo todo. A grande pergunta sempre é: como os atletas vão realizar tudo o que foi conversado?

Todos os cuidados para que eles estejam no seu auge vão ser tomados para que uma grande exibição aconteça. Em uma decisão como esta a comissão técnica e os dirigentes também estão com os nervos à flor da pele. É muito raro um treinador que dorme tranquilo ou mesmo que o próprio psicológico esteja relaxado. Este estado de alerta é normal e desejado porque todo cuidado é pouco.

Nestes dias, a reação à pressão de um jogo sobre jogadores e equipe vai influenciar bastante cada um dos atletas. Todos vão estar excitados para começar o jogo. Alguns (espero que todos) querendo participar de um espetáculo inesquecível e entrar para a história e outros (espero que nenhum) para acabar com a preocupação.

Por isso, durante estes dias, as atenções da comissão técnica e principalmente do técnico Tite deverão estar voltadas para o modo de agir de cada jogador. Alguns veteranos com o perfil de líderes, como Chicão e Alessandro, vão estar atentos ao estado de humor e de ânimo dos jogadores mais jovens e certamente, se observarem alguma mudança de comportamento, vão chamar estes atletas para uma conversa.

Caso um jogador que normalmente é cordato e tranquilo comece a ficar irritado e mau-humorado, é sinal de que ele precisa de uma conversa para se tranquilizar. Se acontecer de um jogador que normalmente é falante e brincalhão começar a ficar quieto, é sinal de que o peso da final está atropelando este atleta.

Mas para mim um dos momentos que mais mostram o estado de espírito de uma equipe e que revelam se o jogador está pronto ou não para a disputa da taça é como ele se comporta no ônibus, no trajeto da concentração até o Pacaembu. Um ônibus muito silencioso é preocupante!

Nesta situação o pessoal da comissão técnica e os jogadores mais experientes sabem que deverão se unir para elevar o astral da equipe e manter todos em clima e energia de alta performance. É neste momento que o pessoal vai precisa fazer algum movimento para ligar o time. E, às vezes, a própria vida se encarrega de acordar o time.

Tem uma história que o meu amigo e ídolo Helio Rubens, na época técnico da seleção brasileira masculina de basquete, me contou. Ela aconteceu na final dos Jogos Pan-Americanos de 1999, em Winnipeg, no Canadá.

O Brasil fez a final contra os Estados Unidos e precisava ganhar a medalha de ouro para superar a Argentina no quadro de medalhas do Pan. O Helio, como um técnico experiente, percebeu que o time estava tenso com a pressão quando saiu da concentração em direção ao ônibus e começou a pensar em uma estratégia para despertar o time para vencer o jogo.

Quando a equipe entrou no ônibus o motorista cumprimentou a turma e a resposta foi muito travada. Foi quando o motorista do ônibus perguntou para o pessoal:

- Vocês vão ganhar o jogo ?
- Sim!... Alguém respondeu, meio sem força.
– Vocês são um time de perdedores? – o motorista provocou.
Aí já foram uns três ou quatro que responderam:
– Nós somos um time de vencedores!...
O motorista aumentou a provocação e repetiu:
- Esse time tem perdedores

O pessoal entrou no clima e gritou bem alto com o motorista: - Nós vamos vencer o jogo. E o motorista disse: – Se vocês perderem hoje, vão voltar a pé para o hotel. Porque eu só carrego vencedores no meu ônibus.

Os jogadores, percebendo o objetivo da provocação do motorista, gritaram bem alto: – Você vai ter que nos levar, porque nós vamos ganhar...

E a partir daí se formou uma algazarra dentro do ônibus, com os jogadores se animando, se motivando, vivendo como os campeões que eles eram. A energia subiu, o clima mudou e a equipe saiu para a disputa com o astral elevado.

O resultado, você já sabe: vitória do Brasil e medalha de ouro no basquete em Winnipeg.

Dizem que quando os jogadores brasileiros voltaram para o ônibus, alguém virou para o motorista e disse, com um olhar de agradecimento: – Eu não disse que você teria que nos levar de volta?
– Com todo o prazer! – respondeu o motorista, sorrindo satisfeito.

Lógico que tinha todo o trabalho de anos para que aquela vitória acontecesse, mas às vezes um toque da vida ajuda muito... Eu estou torcendo para que na quarta-feira não precise de brincadeira de motorista para o Corinthians conquistar a taça.
 
Seloco muita coisa ;s