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Militar que ajudou a matar líder das Farc narra a operação

Guillermo León Sáenz, um militar que participou da operação que matou o comandante das Forças Revolucionárias da Colombia (Farc), conhecido como Alfonso Cano, narrou ao jornal colombiano El Tiempo detalhes da busca. Os integrantes das Forças Especiais colombianas estudavam há três anos os hábitos de Cano, e já sabiam os seus gostos, reações e capacidades físicas.

De acordo com Sáenz, às 19h19 da noite de sexta-feira, um movimento no mato das montanhas da região de Cauca, onde Cano estava escondido há dois meses, indicou a presença de um guerrilheiro. “Quieto, levante as mãos! Levante as mãos”, advertiu o soldado das Forças Especiais da Colômbia. O aviso foi ignorado por Cano, que, armado, começou a correr.

“Levamos mais de dez horas inspecionando os arredores da casa onde estava Alfonso Cano e avançamos, camuflados, por entre a selva para que não nos vissem, quando se deu o golpe”, explica o militar. Ele contou que ouviu gritos do seu comando e os soldados entraram em alerta. Logo em seguida, os guerrilheiros começaram a atirar, e os militares responderam ao fogo. Pouco depois, o mesmo soldado que disparou o alerta avisou que o líder das Farc estava morto.

Momento crítico - O militar conta que o momento mais crítico da operação foi durante o desembarque das tropas, ainda pela manhã de sexta-feira, quando eles foram recebidos por disparos de metralhadoras. Os tiros chegaram a derrubar um helicóptero do Exército. Quando as Forças Especiais tomaram a casa onde os guerrilheiros estavam escondidos, encontraram os corpos de um rebelde e da amante do líder das Farc. Depois, eles capturaram o chefe da segurança de Cano. À tarde, 890 homens das Forças Especiais desembarcaram na região, já sob controle do Exército.

A localização de Cano foi descoberta pela inteligência colombiana. Em 13 de outubro, foi confirmado que um dos chefes de segurança das Farc, chamado ‘Pacho Chino’, estava na região. “Acreditar que as pessoas que circulavam na região não seriam identificadas e crer que as pessoas seriam fiéis até o último momento foi o seu calcanhar de Aquiles. Os seus próprios homens deram as informações mais valiosas. O excesso de confiança o matou”, conclui o militar.