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Milhares participam de protesto em Londres contra cortes de gastos

Manifestantes encaram a polícia ao passarem em frente ao Parlamento

Milhares de pessoas participam neste sábado, em Londres, de um protesto contra os cortes de gastos e as medidas de austeridade promovidas pelo governo britânico.

Centrais sindicais estimam que mais de 100 mil pessoas devem participar da manifestação, que conta com a vigilância de 4,5 mil policiais.

Mais de 600 ônibus foram colocados à disposição para levar pessoas de outras cidades a Londres. A marcha estava prevista para ir da estação de Victoria Embankment até o Hyde Park, onde um comício estava previsto para as 13h30 locais (10h30 em Brasília).

Entre os participantes do comício, está o líder da oposição trabalhista, Ed Miliband.

Ministros do governo afirmam que os cortes de gastos são necessários para controlar as finanças públicas, e cobram de seus opositores que apresentem uma alternativa a estas medidas.

Preocupação da polícia

Antes da manifestação, havia preocupações em relação a violência e desordem. Vários grupos utilizaram fóruns na internet para convocar a ocupação de prédios na região do West End londrino.

A Polícia Metropolitana afirma que colocou diversos homens em locais estratégicos da cidade, como o prédio do Tesouro e a entrada de Downing Street, onde fica a residência oficial do primeiro-ministro.

A polícia também pediu que comerciantes aumentassem sua segurança e mantivessem longe do público itens como escadas e latas de lixo, para evitar que eles fossem usados como armas.

Apesar disto, o correspondente de política da BBC Brian Wheeler afirma que o clima na zona central de Londres era bastante amigável na manhã deste sábado.

"O barulho em Whitehall (área no centro da cidade) é ensurdecedor, enquanto milhares de manifestantes tocam tambores, soam apitos e gritam slogans contra os cortes, indo devagar em direção a Trafalgar Square", disse Wheeler.

"A multidão vaiou ao passar pelo número 10 de Downing Street, mas a manifestação é pacífica e amigável", afirmou o repórter, que notou a presença de muitos sindicalistas e funcionários públicos.

Ônibus

O maior sindicato envolvido no protesto, o Unite, afirma que o número de seus filiados que queria participar da manifestação era tão grande que não foi possível encontrar ônibus suficientes para levar todos a Londres.

"A nossa alternativa é focar no crescimento econômico por meio de justiça tributária", disse à BBC o secretário-geral do Unite, Len McCluskey. "Se o governo fosse corajoso o suficiente, ele acabaria com a evasão fiscal que rouba dos contribuintes um mínimo de 25 bilhões de libras (R$ 66,5 bilhões) por ano".

O ministro da Educação, Michael Gove, afirma que entende a raiva dos manifestantes, mas defendeu os cortes. "A dificuldade que temos, com o governo herdando uma terrível bagunça econômica, é que temos que dar passos para colocar as finanças em equilíbrio", afirma. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Fonte: estadao