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Furia,Furia !

A Espanha abraçou o mundo em 2010. Com um toque de bola envolvente, rápido e um atacante matador, colocou a primeira estrela em sua camisa. Entre sustos e surpresas, a Fúria levou a Copa da África do Sul e entrou para o seleto rol dos campeões mundiais. Sua conquista foi escolhida pela Pesquisa Estado como o "fato do esporte mundial".

A Espanha foi a última seleção a chegar na África do Sul. E desembarcou em Johannesburgo dia 11 de junho (dia da abertura da Copa) com o favoritismo na bagagem. E também a desconfiança.

Não era a primeira vez que os espanhóis disputavam um Mundial como favoritos. A torcida, porém, estava cansada de terminar a competição decepcionada. Com Vicente Del Bosque como técnico e um time que mesclava jogadores de Barcelona e Real Madrid, todos acreditavam que este era o momento de vencer. E quem disse que seria fácil?

A atual campeã europeia sofreu na estreia. A derrota para a Suíça, por 1 a 0, abalou o torcedor e fez a primeira vítima. Sara Carbonero, repórter de uma tevê espanhola e namorada do goleiro Iker Casillas, levou a fama de pé-frio pelo tropeço - disseram que ela desconcentrou o camisa 1 por estar perto dele no momento do gol. Alguns apontaram falha do goleiro. Mas o tempo tratou de mudar a história e a bela jornalista terminou o Mundial como amuleto da conquista e o título de musa da Copa. Após o jogo final, ganhou um beijo do namorado durante transmissão ao vivo.

Se Casillas fez bem o seu papel, seus companheiros também não decepcionaram. Depois da derrota inicial, foram cinco vitórias (Honduras, Chile, Portugal, Paraguai e Alemanha) até a grande decisão. Mas o caminho não foi nada fácil e as vitórias foram todas magras.

A Espanha se notabilizou pelas trocas de passes e por seu finalizador. David Villa terminou a Copa como um dos artilheiros - ao lado de Sneijder, Forlán e Müller - ao anotar cinco dos oito gols de sua seleção. O setor defensivo foi outro destaque da forte seleção, com apenas dois gols sofridos. O zagueiro Puyol, aliás, também mostrou estrela na frente, ao anotar de cabeça o gol vitorioso sobre a Alemanha na partida que valeu vaga na decisão.

A final contra o carrasco brasileiro, a Holanda, foi cercada de emoção. E que emoção! Ao contrário das partidas anteriores, os holandeses mostraram descontrole emocional e abusaram das faltas duras. A Espanha manteve aquilo que fizera em todo o Mundial: tocou a bola esperando o melhor momento da finalização, sem se desesperar.

Herói. Apesar do 0 a 0 no tempo normal, não faltaram lances de gol. Na prorrogação, um baixinho apareceu para colocar seu nome na história. Faltando 5 minutos para a partida ir para a decisão de pênaltis, o meia Iniesta chutou forte, cruzado e correu para a comemoração. Mais uma vez o polvo Paul comprovou sua fama - o molusco de um aquário alemão acertou todos os seus "palpites" no Mundial. Desta vez a Espanha desbancou todas as desconfianças que a rondava. Finalmente a Fúria, já campeã europeia, levantou a taça mais desejada no mundo do futebol. Com méritos!

E a seleção espanhola ainda pode abrir 2011 com mais uma conquista. Dois de seus campeões, o próprio Iniesta e o também meia Xavi, disputam o troféu de melhor do mundo da Fifa, na eleição em janeiro. No caminho, um argentino, Lionel Messi. Todos ganharam tudo que podiam pelo Barcelona, mas a taça da Copa do Mundo pode favorecer os espanhóis.

Fonte: estadao