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Ex-ditador argentino Videla é condenado a 50 anos de prisão

O ex-ditador Jorge Rafael Videla, 86, foi condenado nesta quinta-feira a 50 anos de prisão por conta do sequestro de bebês durante a última ditadura militar argentina (1976-1983).

Videla foi julgado ao lado de Reynaldo Bignone --que foi o último dirigente da ditadura no país--, além de outros ex-militares e ex-autoridades de segurança.

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Ex-ditador argentino, Jorge Rafael Videla (à esq.) ao lado de Reynaldo Bignone

O ex-mandatário e outros dez acusados ouviram as sentenças no tribunal de Comodoro Py, em Buenos Aires. As penas variaram de 15 a 50 anos.

Pela primeira vez, a Justiça declara que houve um plano sistemático de sequestro de recém-nascidos, filhos de prisioneiros políticos. Até então, os casos eram tratados de forma isolada. A nova abordagem permite considerar os crimes como de lesa humanidade, podendo levar a novas detenções de outros envolvidos.

Condenado em 2010 à prisão perpétua por um tribunal de Córdoba pelo fuzilamento de dezenas de presos políticos em 1976, Videla já acumula vários processos por outras causas devido a crimes cometidos durante o regime militar argentino.

ROUBO DE BEBÊS

Segundo a associação Avós da Praça de Maio, foram subtraídos 500 bebês no período, sendo entregues para famílias de militares. As Avós já recuperaram 105 desses jovens, hoje na casa dos 30 anos.

O general condenado deu declarações, na semana passada, que revoltaram a sociedade. "Apesar de respeitá-las como mães, as mulheres grávidas mencionadas pela acusação eram ativistas que usaram seus embriões como escudos humanos durante combate", disse, em sua defesa.

Segundo Alan Iud, da equipe jurídica das Avós, a sentença vem em boa hora, porque o sequestro de bebês "é o que distingue a crueldade da ditadura argentina em comparação com outras da região".