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Estado de São Paulo vive epidemia de conjuntivite

Uma epidemia de conjuntivite foi decretada no Estado de São Paulo depois que surtos foram identificados no interior e se espalharam pelos litorais sul e norte até chegar na capital esse ano. Somente na capital paulista, os serviços de saúde receberam mais de 50.405 notificações de conjuntivite viral, de 1º de fevereiro até 15 de março, de acordo com o CCD (Centro de Controle de Doenças) da Coordenação de Vigilância em Saúde.

Mesmo sem números oficiais, já que não há obrigatoriedade das unidades de saúde em reportar os dados, mais de 18 mil casos foram confirmados no litoral, segundo levantamento passado pelas secretarias municipais de Saúde.

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No entanto, esses números devem ser muito maiores, explica Norma Helen Medina, diretora técnica do centro de oftalmologia sanitária do centro de vigilância epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde. Ela diz que os números apresentados não são “nem a ponta do iceberg”.

- Não é surto mais, é uma epidemia de conjuntivite viral. A gente identificou que a epidemia começou no interior do Estado no fim de janeiro e a gente sabia que depois do Carnaval ia piorar.

Segundo a Vigilância Epidemiológica do Estado, o surto que começou em janeiro deste ano no oeste paulista, se propagou para as regiões litorâneas depois do Carnaval e se transformou em uma epidemia de origem viral.

Penitenciárias vivem surtos

O primeiro caso notificado oficialmente foi em uma penitenciária de Flórida Paulista (SP). Segundo a diretora, já foram identificados surtos também em mais de dez penitenciárias do Estado, como em Santo André (com 900 casos) e em Osasco.

Na conta da vigilância, foram contabilizados 4 mil casos em janeiro, 13.063 em fevereiro e mil em março, até o dia de hoje.

- Mas deve ser bem mais, já que muitos municípios não me passaram ainda nem dados de janeiro.

A vigilância identificou o surto por enterovírus (tipo de vírus da conjuntivite de maior capacidade de disseminação, mas de cura mais rápida) entre o fim de janeiro e começo de fevereiro. O vírus é o mesmo que causou surto no Estado em 2003.

Baixada Santista

A inflamação ocular, mais comum no verão, já atingiu pelo menos 9.473 pessoas neste ano só na Baixada Santista. Em Santos estão acumulados o maior número de casos, 4.048, de acordo com a Vigilância Epidemiológica.

Em segundo lugar está Cubatão (1.193), e, em terceiro, São Vicente (980). Em outros municípios do litoral os números também são altos: Peruíbe (941); Bertioga (872); Guarujá (527); Mongaguá (462); Itanhaém (350). Em Praia Grande, cerca de cem pessoas pegaram conjuntivite desde 28 de fevereiro, data que começou a contagem no município.

Rosemeiry Nemetz, chefe da sessão de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Santos, confirma o surto e afirma que o número de casos no município é bem maior do que no ano passado, quando foram contabilizadas apenas 13 pessoas infectadas nessa mesma época do ano. Segundo ela, os bairros de maior densidade populacional – Morro São Bento, Estuário, Macuco e Aparecida - foram os mais atingidos e os adultos jovens são a maioria entre os infectados.

-O surto se iniciou a partir de 21 de fevereiro, e o maior aumento ocorreu a partir de 28 de fevereiro. Mas antes do Carnaval já houve aumento no número de casos.

Litoral norte

O litoral norte também já apresenta surtos. Somente em São Sebastião, já foram notificados ao menos 1.211 casos e, em Ilha Bela, mais de mil pessoas já receberam o mesmo diagnóstico, segundo as secretarias municipais de saúde dos municípios.

Para evitar mais casos, as prefeituras locais fazem campanhas de uso de álcool gel em escolas e hospitais e pedem para a população evitar aglomerações e lavar as mãos com frequência. Unidades de saúde municipais estão realocando pacientes com sintomas da conjuntivite para salas reservadas a fim de tirá-los dos prontos-socorros onde possam espalhar a doença.

Na capital, a área técnica de Saúde Ocular do CCD elaborou material com orientações de prevenção para divulgação junto à população e foi elaborado um alerta para os profissionais de escolas e creches, que receberam orientações sobre as condutas e medidas de controle.

Além disso, a notificação passou a ser compulsória para todos os casos individuais atendidos nos serviços de saúde do município.