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Enviado dos EUA defende permanência de Mubarak durante transição

Wisner elogiou renúncia dos principais líderes do partido de Mubarak

O enviado especial dos Estados Unidos ao Egito, Frank Wisner, disse neste sábado que o presidente egípcio, Hosni Mubarak, "precisa continuar no cargo" durante uma transição no poder no país árabe.

A fala de Wisner ocorreu enquanto manifestantes protestavam pelo 12º dia consecutivo no Egito, exigindo a renúncia imediata de Mubarak.

No entanto, o porta-voz do Departamento de Estado americano, PJ Crowley, afirmou que Wisner expressava sua própria opinião, que não coincidia com a do governo de Barack Obama.

Nesta semana, Obama disse que a transição no Egito deveria começar "já".

Mubarak insiste em permanecer no poder até setembro e diz que, se renunciar antes das eleições marcadas para aquele mês, o país mergulhará no caos.

Permanência

Ex-embaixador no Egito, Wisner foi enviado por Obama ao Cairo na segunda-feira, aparentemente para convencer Mubarak a anunciar sua saída.

"Nós precisamos conseguir um consenso nacional sobre as pré-condições para o próximo passo à frente. O presidente deve permanecer no cargo para conduzir essas mudanças", ele afirmou na Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha.

"Ele (Mubarak) deu 60 anos de sua vida para servir seu país, este é o momento ideal para ele mostrar o caminho adiante".

Em sua fala, Wisner também elogiou a renúncia dos principais líderes do partido do presidente egípcio, anunciada neste sábado pela TV estatal.

Hossam Badrawi, um reformista e médico conhecido, assumiu os postos de secretário-geral da agremiação e de diretor do comitê de políticas, cargo antes ocupado por Gamal, filho de Mubarak.

O correspondente da BBC no Cairo, John Leyne, diz que embora o novo secretário-geral seja visto como um liberal, ele é próximo da família Mubarak. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Fonte: Estadao