•  
     

ENTREVISTA-Situação no Oriente Médio é frágil, diz Banco Mundial

A situação no Oriente Médio é "frágil", com países como Egito e Tunísia envolvidos num dilema de "modernização parcial", na qual o sistema político não permite que as massas aproveitem os avanços econômicos, afirmou o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.

Em entrevista por telefone desde Berlim, Zoellick disse que a entidade estava pronta para agir rapidamente a fim de apoiar os países na região, na medida em que dão continuidade a reformas políticas e econômicas.

"Estamos em uma situação muito frágil, não apenas no Egito, mas em um número de países no Oriente Médio", ele disse à Reuters.

"É extremamente difícil neste momento ler exatamente o que irá acontecer" no Egito, afirmou Zoellick, acrescentando que implementar reformas econômicas e sociais enquanto durar a inquietação política é especialmente difícil.

"Fazer reformas em meio a uma revolução é complicado", afirmou.

Quarta-feira foi o dia mais violento desde que os protestos começaram no Egito há pouco mais de uma semana. Seguidores do presidente egípcio, Hosni Mubarak, entraram em confronto com manifestantes que exigem sua saída imediata do poder após 30 anos de governo.

O caos tomou conta do Egito após manifestações na Tunísia, onde semanas de protestos contra a repressão, a pobreza e a corrupção derrubaram o presidente Zine al-Abdine Ben Ali após 23 anos no poder. Protestos também atingiram Argélia, Jordânia e Iêmen.

O Egito tem desfrutado de um crescimento mais forte do que a maioria das nações árabes e tem um nível relativamente baixo de pobreza pelos padrões internacionais.

O problema, sugeriu Zoellick, é que países como Tunísia e Egito não avançaram de forma agressiva o suficiente para modernizar suas economias, deixando um alto nível de desemprego, especialmente entre jovens.

"O que temos visto é um processo de modernização parcial ... na fase de desenvolvimento dos portos, a infraestrutura, as zonas industriais, na criação desses empregos esses países não foram longe o suficiente, nem suficientemente rápido", afirmou.

Zoellick disse que uma das lições das tensões no Oriente Médio foi a de que as reformas econômicas nem sempre foram suficientes.

"Há uma esclerose que assume formas diferentes em países diferentes - às vezes a corrupção, às vezes o nepotismo. Este é o lugar onde cada país tem suas próprias circunstâncias."

Ele disse estar preocupado com a possibilidade destes acontecimentos rápidos no Oriente Médio paralisar outros governos, incluindo os países doadores, enquanto tentam digerir a evolução dos fatos.

"Toda vez que você tem eventos dramáticos como este, as pessoas compreensivelmente se retiram para refletir e aprender", disse ele. "Mas não devemos deixar isso cair na paralisia."

Enquanto alguns países membros do Banco Mundial prefiram esperar para ver uma série de reformas antes de oferecer ajuda, Zoellick disse que a instituição estava disposta a mostrar flexibilidade por meio do apoio às agências humanitárias, o que está fora de suas atividades tradicionais.

Fonte: Estadao