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Após ataques a embaixadas, Itália está em alerta

A Itália está em alerta nesta sexta-feira, temendo novos ataques, um dia depois de um grupo anarquista ter assumido a responsabilidade pelo envio de pacotes-bomba que feriram duas pessoas nas embaixadas do Chile e da Suíça, em Roma.

Houve um falso alarme nesta sexta-feira na embaixada da Irlanda, de onde a polícia recebeu um chamado para abrir um pacote que se parecia com os que haviam causado as explosões na quinta-feira, mas se descobriu que continha um cartão de festas.

Investigadores observaram que alguns grupos anarquistas têm o costume de atacar no período de Natal e avisam que é provável que ocorram novos atentados. As embaixadas italianas foram postas em alerta em todo o mundo, mas as autoridades falaram muito pouco sobre o assunto.

"A investigação está em andamento. Não há outras informações no momento", disse uma porta-voz da polícia de Roma.

Cesar Mella, o funcionário da embaixada chilena que ficou ferido quando um pacote explodiu na sala de despacho da correspondência, perdeu dois dedos e teve outros ferimentos. Andreas Clemens, empregado na embaixada suíça, sofreu fraturas e ferimentos nas mãos, braços e outras partes do corpo.

Os atentados causaram poucos danos materiais, mas fizeram emergir o medo do ressurgimento da violência de militantes da extrema esquerda, num momento de crescente tensão na Europa por causa dos cortes orçamentários.

Apesar disso, ainda não há indicações de algum tipo de vínculo entre esses ataques e os protestos estudantis da semana passada, em Roma, que resultaram nos piores atos de violência na capital italiana nos últimos anos.

O grupo que assumiu a autoria dos atentados de quinta-feira, a Federação Anarquista Informal (FIA), é bem conhecido da polícia italiana. No ano passado, foi descrito em um relatório de inteligência enviado ao Parlamento como a principal ameaça terrorista nacional do tipo anarquista-insurrecional."

A FIA ganhou notoriedade em 2003, com a chamada "campanha do Papai Noel" contra instituições da União Europeia, que incluiu um pacote bomba enviado antes do Natal para Romano Prodi, ex-primeiro-ministro italiano e, na época, o dirigente da Comissão Europeia.

Em comparação com a sangrenta campanha de sequestros e assassinatos desencadeada nos anos 70 por grupos como o alemão Facção do Exército Vermelho e o italiano Brigadas Vermelhas, a violência da extrema esquerda tem sido um fenômeno relativamente inexpressivo nos últimos anos na Europa.

Mas a tensão resultante da crise financeira na Europa traz o temor de que esses grupos queiram explorar os protestos populares, em especial na Grécia, onde os cortes orçamentários foram mais severos.

Fonte: estadao