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Algoz do São Paulo, Nikão supera drama e tenta se firmar no Bahia

O meia-atacante Nikão, de 19 anos, foi um dos responsáveis pela grande vitória do Bahia sobre o São Paulo neste sábado. Suas jogadas originaram dois gols da virada por 4 a 3 e ajudaram seu clube a se distanciar da zona de rebaixamento. A grande atuação anima os torcedores do time baiano, mas suscitam uma pergunta: até quando Nikão ajudará o Bahia? Talento não falta, mas um passado recheado de dramas vem atrapalhando muito sua carreira até aqui. Já são oito clubes no currículo.

“Aquela alegria, aquela felicidade que sempre tive no começo do ano, voltou. Agora é só dar continuidade e seguir em frente”, disse Nikão após a partida de sábado.

Natural de Montes Claros (MG), Nikão não conheceu o pai e perdeu sua mãe, Ednalva, quando tinha nove anos. Ela foi vítima de câncer e morreu aos 35 anos. Nikão então passou a ser criado pela avó, Rita, junto com seis irmãos mais velhos.

Sua carreira no futebol começou quando tinha 12 anos. Destaque num time amador na sua cidade, Nikão foi levado com autorização da avó, sem condições de criar todos os netos, por um empresário de Mirassol, Carlos Roberto Carvalho, que ouvira de um amigo maravilhas sobre o menino. Adotado legalmente por ele, Nikão jogou no time do interior de São Paulo até os 15 anos. Nesse período, EM 2005, viajou para a Europa e fez testes no CSKA de Moscou e no PSV Eindhoven.

Em 2008, Nikão acertou com o Palmeiras por indicação de Vanderlei Luxemburgo, que cruzou seu caminho pela primeira vez.

Mesmo longe de casa, Nikão não perdeu os laços com os irmãos. Um deles, Thiago, com era muito apegado, se envolveu com traficantes de drogas. Nikão tentou tirá-lo desse caminho, mas acabou não conseguindo. O meia do Bahia por pouco não desistiu da carreira na virada de 2008 para 2009, quando sua avó Rita morreu aos 60 anos.



A perda da avó atrapalhou seus passos na base do Palmeiras. Começou a abusar das baladas, ganhou peso e deixou de ser aproveitado. Ali ele iniciava uma peregrinação por clubes brasileiros. Em 2010 disputou a Copa São Paulo pelo Santos. Depois, na metade do ano, foi indicado mais uma vez por Vanderlei Luxemburgo, que estava no Atlético-MG.

Em Belo Horizonte, quando tentava enfim se firmar, Nikão levou um novo baque. Seu irmão Thiago morreu num acidente de carro no interior de Minas. Mais uma vez abalado, não conseguiu ir bem no Atlético, com quem tem contrato até 2014.

Nikão foi então emprestado no início do ano ao Vitória. Foi vice-artilheiro do Campeonato Baiano com nove gols e despertou o interesse do rival Bahia. O presidente do clube, Marcelo Guimarães, entrou em contato com o Atlético-MG, que rescindiu seu empréstimo para o Vitória e o repassou para o Bahia até o final do ano.

Porém, a chance de jogar a Série A não rendeu bons frutos a Nikão. Antes da partida contra o São Paulo, o meia havia atuado em apenas três jogos. O antigo técnico, René Simões, o aproveitou muito pouco. Com Joel Santana a história pode mudar. E Nikão agradece a confiança.

“Eu nunca deixei de treinar por conta da oportunidade. Agora Joel está confiando em mim e tenho um suporte legal para chegar sábado com a cabeça boa”, disse o meia antes do jogo. “Confiança é essencial e isso o Joel me deu bastante. Vou procurar agora honrar a camisa do Bahia e desenvolver meu papel”. É o que esperam também os torcedores do time baiano, na torcida para que Nikão consiga enfim firmar sua carreira no futebol.
 
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