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ainda vale a pena estudar psicologia ?

Conflitos com os pais, namoros mal resolvidos, cobrança na escola e em todo o canto da sociedade. Que adolescente não gostaria de entender por que os seres humanos são tão complicados? O curso de psicologia atrai muitas pessoas que, interessadas nos mistérios da mente, buscam transformar sua vida profissional em um exercício de conhecer o outro - por meio do qual acabam, muitas vezes, conhecendo melhor a si mesmos.

"Como o curso tem disciplinas voltadas à compreensão das pessoas, ele acaba mesmo por indicar algumas coisas nossas, fazendo com que certos alunos trilhem o caminho do autoconhecimento", afirma a vice diretora da Faculdade de Psicologia da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) Ana Maria Pereira. Mas ela alerta que a pressão por uma escolha profissional correta, a ansiedade e o desejo de encontrar tantas respostas podem atrapalhar os estudantes na hora de prestar vestibular: "algumas vezes, o aluno busca na graduação em psicologia o mesmo contato que ele tem com seu terapeuta, e o curso não é uma extensão da terapia".

O curso de psicologia é voltado para a formação generalista do profissional. No caso da PUC-RS, por exemplo, os dois primeiros semestres são dedicados ao ensino das disciplinas fundamentais da psicologia, como psicologia social, história da psicologia e construção do comportamento humano. A partir do terceiro semestre, os alunos vão gradualmente entrando em contato com especialidades de diferentes áreas de trabalho, como as áreas médica e de recursos humanos. A partir do sexto semestre começam os estágios, que possibilitam a prática de diferentes aplicações da profissão. "Depois de passar pelas áreas de trabalho, muitos alunos me procuram para dizer que entraram na faculdade para fazer clínica e saíram com certeza de que querem trabalhar em empresas, por exemplo", conta Ana Maria.

Se você está focado em se destacar no mercado de trabalho e pretende estudar Psicologia, precisa, em primeiro lugar, repensar os planos de acabar a faculdade, abrir um consultório e começar logo a atender seus pacientes. A gerente de produto efetivo da Gelre, Sidnéia Palhares, acredita que essa não é uma opção viável para a maioria dos recém-formados da área: "o psicólogo clínico é alguém que precisa de muito estudo e de dedicação integral a essa modalidade de trabalho. Esse perfil geralmente se aplica melhor a profissionais mais maduros".

Sidnéia explica que os psicólogos clínicos inexperientes costumam contratar um supervisor para acompanhar suas primeiras sessões. O custo desse tipo de serviço, e o fato de que o tratamento psicológico não sai barato para boa parte da população, agravam as dificuldades financeiras de se abrir uma clínica com pacientes fiéis logo no começo da carreira. Quem começa nessa área tem a opção de alugar salas de atendimento em clínicas renomadas ou atender pacientes de algum convênio médico, até que a experiência traga indicações e estabilidade financeira.

A gerente da Gelre também desmistifica outra crença que confunde a cabeça dos interessados em psicologia: a falsa impressão de que há muitas vagas para profissionais dessa área nos departamentos de Recursos Humanos das empresas. Sidnéia explica que grande parte das corporações está enxugando os seus quadros de RH, e que o recrutamento de profissionais passou a ser terceirizado, ou seja, consultorias especializadas são contratadas periodicamente apenas para selecionar novos funcionários. "RH ainda é a vedete do mercado, mas a maior parte das vagas para psicólogos está nas consultorias de recrutamento, e não nas grandes empresas", afirma Sidnéia.

Outras boas opções de carreira estão na área hospitalar, em que o psicólogo dá apoio ao tratamento médico, e na psicologia do esporte, que combina o tratamento psicológico com estímulos motores para ajudar atletas a superarem o stress e o desgaste físico na hora das competições.